Pedra da Jamanta – Reserva da Juatinga

Pedra da Jamanta – Reserva da Juatinga

A reserva da Juatinga faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu, no entorno de Paraty, Rio de Janeiro. A Pedra da Jamanta tem uma localização privilegiada, bem no meio da reserva, em uma península com diversas praias de um lado e o Saco do Mamanguá do outro. É uma área muito preservada, onde pequenas comunidades caiçaras estão estabelecidas. Para quem deseja conhecer mais a região recomendo fazer a travessia da Juatinga que cruza por todas as praias, desde Paraty Mirim até a Vila do Oratório, em um trajeto de cerca de 45km.

O acesso ao cume da Jamanta pode ser feito por 3 pontos diferentes: pela praia do Sono, praia da Ponta Negra e pelo fundo do Saco do Mamanguá. Nós optamos pela trilha da Praia do Sono, por um caminho muito fechado e pouquíssimo explorado. Fiz uma pesquisa online e achei alguns poucos relatos sobre essa aventura, quase ninguém tentou a ascensão sem um guia local e todos relataram dificuldade de navegação. Fomos preparados para o desafio, sabendo que haveria uma grande possibilidade de ficarmos desnorteados por algum tempo.

Como chegar e onde ficar?

A praia do Sono fica ao lado da Vila do Oratório que serve de entrada para o condomínio Laranjeiras. Da Vila do Oratório você tem 2 opções: fazer a trilha (super demarcada e aberta) de cerca de 4km ou contratar um barqueiro para te pegar dentro do condomínio.

A maneira mais fácil de chegar à Vila do Oratório é de carro, mas também é possível chegar lá de ônibus. Compre passagem para Paraty e de lá pegue um ônibus de linha para Laranjeiras. São diversos horários durante o dia, quase que de hora em hora, sendo o primeiro às 5hs da manhã e o último às 23hs. Existem diversos estacionamentos na Vila do Oratório para quem vem de carro. A diária em 2019 saiu por R$ 20, mas como estávamos em 4 no carro o valor não pesou tanto.

As opções de camping na praia do Sono são infinitas. Talvez em feriados ou nas férias de verão você tenha algum problema em achar um lugar para dormir, mas em finais de semana comuns é super tranquilo. Nós optamos em dormir em um chalé que fica dentro do camping Caiçara, de propriedade do Júnior ((24) 99954-4600). O espaço era perfeito para 4 pessoas e tinha banheiro com chuveiro elétrico, além de fogão e cozinha. Pelo chalé pagamos R$ 500 por duas noites, já o camping ele cobraria R$ 30 por pessoa por dia.

A Trilha

Saímos de São Paulo por volta das 14:30hs com destino a Vila do Oratório em Paraty. A viagem é longa e cansativa e acabamos chegando lá às 19:15hs, depois de pegarmos muito trânsito na marginal, na saída de São Paulo. Estávamos em 4 pessoas e com o equipamento bem leve já que decidimos não acampar e pernoitar em um chalé na praia do Sono. Na Vila do Oratório paramos o carro em um estacionamento na beira da trilha e logo descarregamos as mochilas. Com lanternas de cabeça começamos a caminhar por uma trilha que mais parece uma avenida de tão larga e demarcada que é. Em pouco mais de 1h chegamos no camping Caiçara onde encontramos o Júnior que nos levou até o chalé. Preparamos um macarrão e acertamos o alarme para às 5hs, a ideia era acordar cedo e sair perto das 6hs, com o intuito de estar de volta no meio da tarde.

Saindo do camping Caiçara resolvemos caminhar pelo fundo da praia do Sono, em um caminho paralelo ao mar. Fomos assim até o primeiro grande entroncamento com uma trilha que leva ao Poço do Jacaré. Apesar do GPS indicar que o início da trilha para a Pedra da Jamanta era um pouco mais para frente resolvemos entrar nesse entroncamento e seguir até o Poço, o que se mostrou um erro, já que demoramos para achar o ponto de ligação entre as duas trilhas. No caminho de volta seguimos pela trilha original desse trecho e foi muito mais fácil.

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Após cerca de 40 minutos de trilha, perto da cota dos 100 metros de altitude, entramos em uma trilha estreita, mas com a direção certa. A umidade e o calor estavam intensos, a temperatura já estava próxima dos 30 graus e nossas roupas ficaram ensopadas de suor. Em pouco tempo a trilha estreita se transformou em mato fechado e ficou quase impossível identificar o caminho. por cerca de 1 hora e meia seguimos varando mato, com um olho no GPS e outro tentando achar brechas entre cipós e raízes.

Perto da cota 300 percebemos que havíamos desviado muito da rota do GPS e que estávamos na margem errada do rio. Um pequeno desfiladeiro nos separava do outro lado, então tivemos que descer um pouco para conseguir cruzar de margem e continuar a subida. Do lado certo do rio seguimos navegando pelo mato, mas ainda sem muita certeza da trilha. Foi somente após 3hs de trilha, perto da cota 400, que finalmente encontramos de fato um trajeto um pouco mais aberto.

A coisa melhorou de vez quando chegamos na cota 550, depois de 3hs e meia, quando cruzamos com uma trilha muito mais marcada que provavelmente se inicia na praia da Ponta Negra. Desse ponto em diante até o cume da Pedra da Jamanta a trilha é bem batida, sem nenhuma dificuldade de navegação, mas por outro lado é bem inclinada. Não achei nenhum ponto de água nesse trecho, então recomendo pegar água antes de sair do mato, principalmente se você pretende acampar no cume. A área para montar acampamento lá em cima é bem pequena, mas há algumas clareiras antes do cume.

Nós chegamos no alto da Jamanta depois de 4 horas e 20 minutos de muito vara mato e muita subida. O meu GPS marcou 1081 metros, mas já vi relatos com altitudes diferentes. Ficamos lá curtindo a vista de quase 360 graus da reserva da Juatinga, era possível ver um pedaço do Saco do Mamanguá, a Ilha Grande e todo o litoral norte paulista. Lá no fundo, onde o azul do céu se confunde com o mar de morros da Serra do Mar, achei ter identificado o Corcovado de Ubatuba. Foi legal ter levado o drone para fazer umas imagens aéreas do topo da montanha e todo seu entorno.

O caminho de volta foi uma experiência totalmente diferente da subida. Já estávamos muito mais preparados para enfrentar o vara mato e as dificuldades de navegação. Conseguimos nos manter na “picada” por quase toda a duração da volta, com exceção para um breve momento que nos perdemos durante uma travessia de margem de rio. Descemos em 2 horas e meia e estávamos sentados prontos para almoçar perto das 3 horas da tarde.

Lá em cima fiquei tentando achar alguma trilha na crista que se conectasse com o pico do Caiuruçu, mas não achei nada. Seria incrível fazer uma travessia entre a praia do Sono e o Pouso da Cajaíba caminhando pelas cristas das montanhas. Se alguém souber algo desse trajeto deixe um comentário abaixo.

Não recomendo fazer essa trilha pessoas com pouca experiência de navegação em mata fechada e sem conhecimento operacional de GPS. Lá na praia do Sono ou na Ponta Negra é possível contratar um guia local. Nunca deixe lixo na trilha! Respeite a natureza e as pessoas que vivem na região.

Para cima e avante!