6 travessias imperdíveis no Brasil

6 travessias imperdíveis no Brasil

Para fazer uma seleção de travessias dentro do Brasil acabei optando por escolher lugares dos quais eu já fui e me sinto seguro para escrever a respeito. Por outro lado acabei deixando de fora um arsenal inteiro de concorrentes e lugares fantásticos, como as diversas travessias no Estado do Paraná, e a já muito conhecida travessia “Lapinha x Tabuleiro”, na Serra do espinhaço, Minas Gerais.

Cada travessia nessa lista tem um espaço importante na minha memória e tenho certeza que pode deslumbrar tanto iniciantes quanto veteranos do mundo do trekking.

1. Serra Fina

Essa travessia sem dúvida estaria na lista de qualquer pessoa. Considerada uma das travessias mais complicadas do Brasil, é também uma das mais belas. Na divisa de 3 estados – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – a Serra Fina cresce entre o mar de morros da Serra da Mantiqueira e oferece desafios para todos os caminhantes.

A Serra Fina é sem dúvida uma travessia exigente, com muita elevação acumulada e trechos de navegação complicados, além de contar com poucos pontos de coleta de água. Para os corredores e amantes da corrida de aventura, a Serra Fina pode ser completada em um dia. Para fazer da forma clássica são necessárias 3 noites e 4 dias, dormindo cada noite em uma montanha (Capim Amarelo, Pedra da MIna, Pico dos 3 Estados).

2. Volta da Juatinga

Essa aventura transcorre no extremo litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, dentro do município de Paraty, local também conhecido como Costa Verde. Essa parte do nosso litoral é ainda muito preservada e hoje faz parte de uma área de proteção ambiental e da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga que além de outras coisas abriga as comunidades caiçaras tradicionais da região.

A preservação desse paraíso natural e cultural somente foi possível devido a enorme distância para os grandes centros comerciais e da precariedade de acesso, apenas através do uso de barcos ou por trilhas.

Existem diversas variantes para esse percurso e com graus de dificuldade bem diferentes. O roteiro mais utilizado é feito normalmente em 3 dias e sai da praia do Pouso da Cajaíba e vai em direção à Vila do Oratório, depois da praia do sono, onde existe acesso ao transporte. É a trilha ideal para quem deseja caminhar entre praias paradisíacas e dentro da Mata Atlântica.

3. Vale do Pati

O Vale do Pati fica no coração da Chapada da Diamantina, um lugar mágico que sempre esteve no topo da minha lista de lugares para visitar.

O Pati está cercado por 3 cidades e todas oferecem trilha para entrada no Vale, mas com graus de dificuldade bem diferentes. A maioria das pessoas entra no Pati por Guiné, em um trajeto mais fácil, com poucas subidas e cerca de 10km de caminhada. Outra opção e entrar por Andaraí, mas não é muito recomendável por conta da (subida – descida do império), as pessoas normalmente entram por Guiné e saem por Andaraí, deixando a subida do império para o final. A última opção é entrar pelo Vale do Capão, passando pelos Gerais do Viera e Gerais do Rio Preto, em um trajeto de 20km, com algumas subidas e descidas.

Nós optamos por entrar pelo Vale do Capão que é sem dúvida a entrada mais espetacular para dentro do Pati, com caminhadas longas em terreno plano, em uma área de vegetação rasteira e grande parte desse trajeto é feito na parte alta dos Gerais com vista panorâmica da Chapada.

Já dentro do Vale optamos por visitar 5 atrações: o Cachoeirão por cima, o Morro do Castelo, a cachoeira dos Funis, o Poço da Árvore e a cachoeira do Calixto. Assim, distribuímos nossos dias com intuito de deixar a cachoeira do Calixto por último, já que havíamos decidido voltar para o Vale do Capão pelo outro lado do Morro do Castelo, fazendo um circuito circular.

4. Petrópolis x Teresópolis

A travessia Petrópolis-Teresópolis é um clássico nacional de caminhada e montanhismo, sendo por muitos considerada a travessia mais bonita do Brasil. Dentro da Serra dos órgãos, no Rio de Janeiro, o trajeto passa por mirantes incríveis e oferece uma boa estrutura para seus visitantes. Com dois abrigos instalados e funcionando, você pode fazer a sua reserva online e optar por pernoitar dentro dos abrigos que contam com banheiro público e alguma estrutura de cozinha. O trajeto é exigente com muito desnível acumulado e algumas partes mais técnicas que exigem cuidado.

Fiz essa travessia em 2013 quando o blog ainda não estava no ar e pretendo fazer de novo para escrever um relato completo.

5. Baependi x Aiuruoca

A travessia entre Baependi e Aiuruoca atravessa o Parque da Serra do Papagaio em uma rota nordeste, passando por diversos vales e serras, em um trajeto de aproximadamente 45 km, com cerca 2600 metros de elevação acumulada.

O Parque Estadual da Serra do Papagaio esta localizado no sul de Minas Gerais e faz parte da Serra da Mantiqueira, interligando-se com as cadeias montanhosas de Itatiaia. A entrada ao Parque é gratuita e a visitação não acontece de forma manejada, mas lá dentro você poderá visitar aproximadamente 1.200 nascentes de água, 240 cachoeiras e 28 cânions. É um paraíso que esta sendo descoberto nos últimos anos e ainda tem um fluxo relativamente pequeno de pessoas.

A trilha é bem demarcada e 90% do tempo caminhamos com grande amplitude visual do trajeto, mas em muitos pontos a trilha se divide e pode ocasionar dúvida em relação a navegação. As cachoeiras com certeza são um grande diferencial dessa travessia em relação as outras trilhas da Mantiqueira. Tivemos a oportunidade de nadar duas vezes, na cachoeira da Juju e na cachoeira do Charco. A água é gelada e somente os corajosos aguentam ficar mais de 5 minutos, mas com certeza vale a pena!

6. Marins x Itaguaré

A Travessia entre o Pico do Marins e o Pico do Itaguaré é reconhecida como uma das trilhas mais técnicas da Serra da Mantiqueira. Ao lado da Serra Fina e do Parque Nacional do Itatiaia, essa travessia oferece vistas incríveis para o mar de morros da Mantiqueira e para as cidades do entorno. Esteja preparado para “escalaminhar” pedras durante o dia inteiro e enfrentar grandes desníveis.

Fiz essa travessia em 2014 quando o blog ainda não estava no ar e pretendo fazer de novo para escrever um relato completo.


Para cima e avante!