Trilha das 7 praias em Ubatuba

Trilha das 7 praias em Ubatuba

Brinco com meus amigos que Ubatuba é um paraíso perdido que ainda não foi descoberto pelo mundo. Viajo para lá desde pequeno, quase 40 anos, e sempre me impressiono com o visual, com a mata atlântica desabando no mar, com a cor da água e a beleza das praias. Para quem gosta de aventura, o litoral norte do Estado de São Paulo é um prato cheio, com diversas trilhas e praias, e opções de hospedagem para todos os bolsos.

A trilha das 7 Praias liga a Praia da Lagoinha até a Praia da Fortaleza, em um percurso de aproximadamente 9 km, com cerca de 270 metros de ganho de elevação. É uma trilha bem tranquila de se fazer e não oferece muitos desafios. A navegação durante o trajeto é fácil, sendo a trilha bem demarcada. Há poucas placas indicativas, mas também quase não existe bifurcações no caminho. O ideal nessa trilha é curtir o trajeto, parando para entrar no mar e se refrescar, ou mesmo para almoçar.

No meu caso resolvi fazer o caminho inverso, saindo da Fortaleza com destino a Lagoinha. Como já havia feito essa trilha diversas vezes, resolvi fazer em um passo mais acelerado, como um treino. Comecei no meio da praia caminhando para o canto direito, onde a trilha se inicia. Logo estava no meio do mato, protegido do sol que batia forte às 10:30 da manhã.

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Saindo da Praia da Fortaleza tem uma bifurcação com a opção de visitar o “Pontão” da Praia, lugar incrível, muito utilizado por escaladores para a pratica de boulder nas pedras.

Pedras no Pontao da Fortaleza

Depois de visitar as pedras voltei para a trilha, agora com destino para a Praia do Cedro. O caminho continua contornando o mar, no meio da mata, em um terreno bem acidentado, com muitos buracos, raízes e troncos caídos. Tem uma hora que se inicia uma grande descida, de cerca de 10 minutos, até a praia do Cedro. Sem dúvida é a praia mais bonita e preservada de toda trilha. Não há ninguém morando lá, não tem acesso de carro e nem energia elétrica. Algumas pessoas montam barracas em finais de semana e feriados,  acampam lá, vale a pena dar uma mergulho e curtir um tempo (veja a foto principal do post).

Logo após a Praia do Cedro tem uma subida, descoberta, sem a proteção das árvores, mas com uma vista maravilhosa para o oceano.

Nesse trecho era quase meio dia e o sol estava a pino, queimando a minha cabeça e exigindo um pouco mais de esforço. O morro entre a Praia do Cedro e a Praia Grande do Bonete é curto, com uma subida e uma descida. No meio desse morro tem uma bifurcação a esquerda que leva para o topo de outro morro, esse ponto é o único local que pode causar confusão na navegação da trilha, mas basta continuar a descida em linha reta para chegar a Praia do Bonete.

A Praia Grande do Bonete abriga uma comunidade caiçara a muitos anos, mas também tem casas de veraneio. Até alguns anos atrás não tinha energia elétrica e até hoje só é acessível por trilha ou barco. É um bom lugar para passar o dia, curtir a praia e almoçar. Foi nessa praia que aconteceu a coisa mais curiosa da trilha.

Estava trotando na praia quando comecei a escutar uma gritaria – “Pega! Ei!” – Uma moça e um rapaz tinham acabado de ser assaltados, dois meninos saíram correndo com as roupas e celulares deles. Saí no pique para tentar alcançar os rapazes e um pouco mais para a frente encontrei o homem que havia sido assaltado, ele estava recuperando o fôlego e me falou como eram os assaltantes. Segui correndo pela trilha até o começo da próxima praia, “do Bonetinho”, e avistei os dois rapazes correndo no meio da praia. Foi quando decidi gritar – “Pega ladrão!”. A praia inteira começou a olhar os rapazes e se movimentar assustada, e eles percebendo o perigo jogaram os pertences que haviam furtado no chão e seguiram correndo. Eu permaneci no meu passo, correndo para tentar alcançar eles e recuperar algum outro pertence. Mais algum tempo na trilha acabei alcançando um dos rapazes que aparentava estar bem cansado. Ele tentou correr mais um pouco, mas não aguentou e seguimos andando juntos, a uma distância de 10 metros um do outro. Ele se disse arrependido e me pediu para deixar ele em paz.  Me disse que não faria de novo e que não queria confusão. Por um tempo fiquei ali sem saber o que fazer, afinal ele já havia devolvido os pertences da mulher e estava claramente nervoso com a situação. No final conversamos e pedi a ele que isso não se repetisse e que pensasse nos outros. Deixei ele seguir, também preocupado que outras pessoas chegassem e tivessem a reação de partir para cima do rapaz. Nada justifica a justiça com as próprias mãos, a dificuldade do outro não pode ser mensurada. Ele deve responder pelos seus atos, mas não ser linchado em praça pública.

Nesse meio tempo a comunidade das praias já havia se organizado e a polícia foi acionada na Lagoinha. No final eles acabaram sendo pegos e vão responder pelo ato.

Esse final de trilha acabou sendo uma confusão e muita correria. Cheguei na Praia da Lagoinha logo depois do meio dia e aproveitei para entrar no rio e no mar. É uma praia bem extensa, de areia batida e fica lotada de finais de semana.

É uma ótima trilha para iniciantes e para quem gosta de curtir o mar.

Para cima e avante!